outubro 26, 2008

OPINIÃO: HECATOMBE

Não sou economista ou especialista com qualificação suficiente para decifrar profundamente os riscos que as medidas que governos de todo o mundo vem tomando diante da crise financeira que vem anunciando concordatas, quebradeiras, recessão e até possível período de depressão na economia mundial.

Mas levanto um questionamento que poucos estão se atentando a ele.

Os líderes mundiais estão chamando para si a responsabilidade de resolverem uma alavancada crise mundial que nem mesmo se sabe a extensão da mesma.

Estão assumindo compromissos de sanar parte dos rombos que o setor financeiro criou, mas usando o dinheiro do contribuinte que nada tem haver com isso, além de aumentarem muito o grau de endividamento de seus governos.

O que isso pode provocar?
Em um primeiro momento parece ser a solução mais apropriada. Evita que grandes empresas quebrem, e ai inclui-se não só as do setor financeiro.

Mas e no futuro? Como será?

Estas medidas estão sendo tomadas olhando para o futuro, digo, acima de cinco anos ou são medidas de desespero e de cunho político evitando um desgaste para o curto prazo?

Importante notar que muitas empresas serão teoricamente sanadas, mas não há nenhuma garantia de sobrevivência das mesmas.

Por outro lado, os governos estão assumindo um endividamento absurdo. Todos eles. As dividas de cada nação serão postergadas por décadas. Isso equivale a comprometer o crescimento dos paises por no mínimo duas décadas.

O Japão encontra-se no estágio atual exatamente por ter tomado medidas como as que vários países estão tomando.

Para quem não sabe um dos motivos da economia japonesa ainda estar em um grave retrocesso econômico é que quando as primeiras empresas começaram a apresentar problemas de caixa nos idos dos anos 80, o governo japonês socorreu-as. Ainda assim não foi suficiente para que o país voltasse à sua pujança anterior. Hoje a Bolsa nipônica apresenta aproximadamente 1/5 da pontuação de 20 anos atrás.

Temo que tentando salvar varias empresas em dificuldades econômicas o governo esteja chamando para si, a responsabilidade dos problemas mas gerando para um breve futuro situações que irão colocar o país em um retrocesso econômico . Aumento de impostos, inflação, juros mais altos, maior endividamento do governo e da nação...

Enfim, talvez o melhor fosse aceitar e permitir que o mercado se ajeite e pague as conseqüências necessárias para esta crise que ele criou. Talvez devesse deixar quebrar várias delas, e alocar o dinheiro que está sendo disponibilizado para todas estas empresas para socorrer os cidadãos que porventura venham a perder seus empregos e passar momentos justificadamente difíceis.

Afinal as dívidas de todas as nações envolvidas no processo serão tão altas, que não sobrará como restabelecer a volta do crescimento num breve futuro.

Como na vida pessoal, você pode ajudar as pessoas usando parte do que possui. Mas ajudar endividados e “semi-falidos” com um capital que não possui, ou seja, assumindo dividas para tentar salvar os outros, isso não costuma ser o correto.

Como diz o dito popular, de que adiante vestir um santo, “desvestindo” outro?

Além do mais, se tantas empresas e instituições foram incompetentes por tantos anos e somente geraram fracassos administrativos, chegando a quebrá-las, o que garante que a partir de então se tornarão grandes administradores e provedores do progresso?

Pelas minhas equações estas contas que os governos vem fazendo, não fecham. Melhor pagar pelo fiasco por alguns anos do que “brindar” a população com mais algumas décadas de atraso econômico, que no caso do Brasil se estende à saúde, educação, cultura...

A conta poderá no final ficar mais cara no médio e longo prazo do que assumindo uma postura de permitir que os culpados paguem pelos seus erros, mesmo que no curto prazo isso represente um arrocho maior para toda a população.

Como disse no início desta postagem, não me julgo qualificado para interpretar tão bem as soluções que poderiam ser tomadas ante a crise atual. Mas temo que toda a população pague por ela em longas prestações.